
num segundo se evolam tantos anos.

Eu fui ver ontem e podia dizer que fiquei com vontade de apanhar um avião para a Austrália, ou que o filme faz jus aos grandes amores dos filmes antigos de que tanto gosto, ou até dizer que vale mesmo a pena ir ver e que mal posso esperar por ter o DVD, mas vou limitar-me a duas palavras:
Ser mulher tem destas coisas. Há dias em que não nos controlamos e a palavra razão deixa de fazer parte do nosso vocabulário... Ficamos com lágrimas nos olhos com o anúncio da Channel (Santoro, a quanto obrigas...), temos necessidades súbitas de comidas que tinhamos prometido nem chegar perto, o chocolate passa a ter um efeito medicinal, quase sobrenatural, a que não podemos resistir, as músicas que ouvimos completam o estado de espírito melancólico que, se nos perguntam a que se deve, só tem uma explicação: malditas hormonas! Toca a todas... Depende da altura do mês, da estação do ano, do momento do dia, do tempo que faz... Gosto de pensar que isto acontece por estarmos tão intimamente ligadas à Mãe Natureza, o que nos faz, umas vezes mais que outras, andar ao sabor dos instintos... Ficamos com os sentidos à flor da pele e sentimos como sendo nossas as variações de humor que nos rodeiam. Hoje deu-me para isto e fiz a única coisa que podemos fazer nestas ocasiões: rendi-me! Tenho como banda sonora o "You belong to me" da Patsy Cline e o "For once in my life" da Vonda Shepard, já revi inúmeras cenas das minhas séries preferidas e andei a afogar mágoas em gomas... Quem sabe mais tarde até me aventure numa sessão de compras para completar o cenário (algo decadente, convenhamos...) que tenho certeza que me vão animar... ;p Eventualmente volta tudo ao normal e voltamos a ser nós próprias, não é? Só resta esperar que a nossa própria lua volte a mudar de fase...Encontro de Bandas Filarmónicas e Orquestras Ligeiras do Concelho de Loures o que inclui a minha Orquestra Juvenil do Pinheiro de Loures. Diz que se vai fazer boa música lá por aquelas bandas! Eu também vou lá estar, do lado esquerdo do palco... E também terei o maior prazer em tentar não desafinar para vocês...

Isto deixou-me a pensar... Não na matéria, como era suposto, mas na verdade que encerra. Nós precisamos uns dos outros. Não é apenas querer, não é apenas gostar... É necessidade. Mais que dependentes, somos realmente interdependentes porque também somos "dependidos". É verdade que esta relação nem sempre é equilibrada e é aí que surgem os nossos choques. Porque somos muitos e andamos a passear pela vida uns dos outros, a entrar e a sair, a testar fronteiras e a criar laços. De dependência, porque há sempre qualquer coisa que fica. E acabamos profundamente enredados uns nos outros... Isto, meus caros (ou Luís Carlos, como preferirem...), parece-me profundamente essencial. Por isso dou-me por satisfeita e, se só conseguir voltar a tirar um apontamento decente daqui a algum tempo, nem me vou preocupar...
É oficial. Hoje começou mais um ano de aulas. Quer dizer... Não começaram bem, bem as aulas mas... A partir do momento em que se volta à faculdade, já não há volta a dar, não é...? Pois. Para mim esse dia foi hoje.
Agora que a minha S. está de partida para viver a vida que sempre quis dei por mim a ver o site do IKEA para ver coisas giras para a casa dela... Podia estar a pensar na falta que me vai fazer tê-la sempre a dez minutos de distância mas (honestamente!) sinto-me muito mais entusiasmada com esta nova fase da vida dela. Claro que vou sentir falta, claro que vou ligar, claro que vou fazer birra e dizer que ela não me liga mas, essencialmente, estou feliz. Por ela. Só por ela. Acho que vemos o quanto gostamos das pessoas na medida daquilo que desejamos para elas. Quando damos por nós a pensar que elas merecem o mundo e tudo o que de bom a vida pode dar, percebemos: é amor. Não me refiro aquilo que escrevemos numa SMS de aniversário ou que dizemos no fim de uma conversa politicamente correcta... Falo, sim, de quando torcemos com todas as nossas forças para que uma pessoa seja capaz de ganhar uma corrida, seja ela de que natureza for, ou sentimos na própria pele a desilusão quando ela não é capaz. E nessas alturas desejamos trocar de lugares, para diminuir a perda, para a poupar, para evitar a tristeza, para que nada a magoe. Aí percebemos. Aí ficamos surpreendidos pela dimensão do que podemos sentir por outra pessoa e o quanto as bancadas nem sempre são o pior sítio para se estar. Quando dizemos "mi casa es su casa" e isso é verdade, quando esperamos por uma carta que nem nos é dirigida tão ansiosamente como se o fosse, quando nos sentimos ofendidos com pessoas que nem conhecemos e travamos guerras que nem são as nossas. Quando o "eu" sou "tu" e preferimos o "nós" a qualquer outro pronome pessoal!
Hoje é o teu dia, minha R.! Que o passes como queres, com quem queres, onde queres! Muito, muito, muito obrigada por me deixares fazer parte não só deste teu dia mas como da tua vida! Que passemos todos os nossos "vinte e.." assim: juntinhas!!!
P.S. - I love you!
P.P.S. - Vais adorar a tua prenda...
A primeira vez que li O Príncipe e a Lavadeira, do Padre Nuno Tovar de Lemos, foi num retiro com o grupo de jovens de que (felizmente!) faço parte. Veio-me parar às mãos um molhe de fotocópias de alguns dos textos que fazem parte do livro e eu, mais por vício inveterado que por outra coisa, comecei logo a ler. E pronto. Não parei até ver a última página e assim que me apanhei numa livraria fui logo comprar o livro (que por sinal era o último na estante...) e li o resto de uma assentada. Passou a ser um livro de eleição e um daqueles que se recomenda (no meu caso impinge) aos amigos. Ajuda especialmente quando eu própria não encontro as palavras certas para responder às perguntas dos mais cépticos acerca da fé que tenho e da qual faço alicerce da minha vida. O livro é composto por vários textos que o Pe. Nuno foi escrevendo por variados motivos e que, por serem tão especiais, mereceram ser agrupados e publicados. Quem normalmente se refere a ele compara-o ao O Principezinho, de Saint-Exupéry, por ser um livro que fala de assuntos realmente importantes com uma simplicidade que nos desarma e com metáforas tão bonitas que nos tocam lá no fundo da infância. São estórias que falam de pessoas, de escolhas, de Deus, de fé e da falta dela. Para quem crê, para quem não crê e para quem não sabe se crê. Há livros assim.
Ultimamente o site watch-movies.net tem feito as minhas delícias. Tenho visto mais filmes nos últimos dias do que nos últimos meses. Enquanto percorria a lista de filmes encontrei o Jeux d'Enfants, que não conhecia mas como a actriz principal era a Marion Cotillard decidi experimentar e... amei! Achei o filme verdadeiramente bonito, irreal até... Um filme de extremos, que nos faz pensar na loucura que é o amor e nas loucuras a que ele obriga... Confesso que o facto de a música La Vie en Rose ser uma constante ao longo do filme também ajuda. A história gira à volta de um casal (e)terno, intemporal, cuja relação se baseia num jogo de desafios a que a resposta é simples: aceitas ou não aceitas? Este jogo não faz parte da relação, o jogo é a própria relação. Os personagens mostram-nos de uma maneira verdadeira, directa, sádica mesmo, essa faceta das relações, aqueles momentos em que a resposta é mesmo "sim ou não", o prazer perverso que por vezes encontramos em magoar quem nos é mais querido. Não conto mais porque vale a pena e ver e há quem não goste de spoilers... Eu acabei de ver o filme confusa, sem perceber o que realmente tinha acontecido, mas também isso é irrelevante. O que interessa é que a resposta aos desafios foi sempre a mesma. Cap.